quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Anotações do Anjo Exterminador (27' a 41')

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Surge a discussão sobre a situação de ninguém ter ido embora e todos permanecerem na sala.


O cara do bigode ainda chama a atenção para o mais estranho, que é ninguém fazer perguntas sobre tal situação.


A conversa se torna notada. Uma das mulheres achou legal ficarem lá, daquele jeito. Outra (Silvia?) disse que notou a situação mas não disse nada por educação.


Educação/civilização pode então ser um elemento que funciona como limitador ou bloqueador quer da percepção de situações estranhas, quer de bloqueamento mesmo de tais situações.


Os outros homens, antes, haviam dito que não sabiam porque não haviam ido embora. Apesar disso tudo, do surgimento da consciência sobre a situação fantástica e mórbida na qual estão, ainda assim ninguém consegue sair da sala.


O gorducho já não estranha.


Questão do médico: por que Luzia mandou servir o café na sala, ao invés de na sala de jantar? Ela não sabe (porque eles não podem sair).


Blanca e o maestro estão alarmados e dizendo que irão embora, mas não conseguem. Se detém conversando com Rita, depois racionalizam que é melhor tomar o café antes de partirem.


Blanca não vai comer, mas também não parte. Senta-se desolada à beira do portal.


De qualquer maneira, a ação desejada não se consolida. E mesmo que não saibam porque, ainda assim fazem outras coisas ao invés daquilo que querem.


Enquanto há os que se perturbam e questionam a situação, outros ridicularizam tudo, como um falso alarde.


Resistência à consciência parcial.


Julio também funciona como reforço à situação de inércia, pois quando lhe mandam buscar colheres ele não consegue sair da sala. Primeiro ele se oferece para trazer coisas para outras pessoas, depois que vai esperar todos terminarem para pegar o carrinho e, finalmente, quando ordenado tacitamente por Luzia, desaba sobre uma cadeira.


O que aconteceria se pegassem alguém e o jogassem pela porta?


Luzia lhe pergunta o que acontece, sem obter resposta. Faz o mesmo com Blanca, que também não responde, mas já está chorando.


O silêncio dos dois exprime a ignorância do indivíduo em relação ao porquê de não conseguir agir contra a inércia.


O médico confirma suas observações quanto ao estranho fenômeno. Mas não sabe explicá-lo. Seria ele “Freud”?


Interessante notar que todos se reuniram na casa em busca do prazer que o banquete lhes proporcionaria. Mas, a despeito do quanto a festa possa ter sido prazerosa, a situação desconfortável e insólita se armou. Não foi preciso haver desconforto prévio para isso, ao contrário.


Como juntar isso ao “Além Do Princípio Do Prazer”?


Tempestade cai à noite (o dia se passou sem mais nada visto).


Teria essa chuva algum significado além de apenas criar clima?


Piano ao fundo, sendo tocado de qualquer jeito enquanto a câmera passeia pela casa em direção à sala onde todos estão “presos”.


Valkiria assume uma postura de impaciência junto ao piano (fecha a tampa das teclas. Diz que há alguém doente, como justificativa para isso). Parece que era a Blanca quem tocava.


Por que justamente o cara que não estava vendo graça nenhuma na festa foi o mais afetado pela situação?


Teria a Pulsão de Morte uma força destrutiva maior sobre aqueles que já não sentem mais prazer (ou o sente de forma limitada)?


O médico chama o Christian para dizer que é preciso fazerem um esforço para romper a abulia, para poder levar o Sergio a um hospital.


Isso demonstra a consciência da necessidade de ação, mas que por si só não significa que se conseguira agir.


Christian fala isso para o Almofadinha e um gorducho. Este replica: “por que não fazem algo e nós iremos atrás?”


É a acomodação racionalizada que deixa a responsabilidade da ação para outros (pessoas ou objetos).


Almofadinha chora/surta para a irmã, colocando a culpa nela por eles estarem ali. Calmamente ela diz que foi ele que insistiu para que fossem à festa.



Valkiria entra num dos armários (o que tem um anjo segurando uma lança) com figuras religiosas pintadas nas portas e se tranca lá dentro, onde já havia um conjunto de vasos.


Por quê? O que significa?


A Beatriz pede água, que acabou; café, que acabou. Seu noivo, Eduardo, tira as flores de um vaso para oferecer a água suja para ela, que não aceita e prefere esperar.


Estranho ele ter feito isso com tanta naturalidade. Sinal da civilização já indo embora?


Finalmente as pessoas começam a perder o controle e algumas mulheres dão os surtos que lhes são tão característicos.


Surge a questão de por que ninguém entrou na casa em busca deles (o que pareceu ser ainda mais alarmante).


O maestro percebe que o que está acontecendo tem a ver com a fuga da criadagem.


Christian: “Maravilha! Nada explica nada!”


Por que os criados fugiram? O que eles sabiam/sentiam? O que revelam? Teriam deixado o Julio de fora porque, como mordomo, estava por demais vinculado à visão de mundo dos patrões? Era um aculturado/cooptado?


O Edmundo tenta colocar um pouco de sensatez na história, embora alguns culpem os criados (comparação com ratos, que o gorducho faz).


Julio interfere e diz que os criados não pareciam saber porque estavam indo embora. Que tudo estava bem até pouco antes dos comensais chegarem. O que transfere a “culpa” do elemento deflagrador para eles.


Fala do médico:


Uma situação como esta não pode durar indefinidamente. Não estamos enfeitiçados. Este não é o castelo de um bruxo. Se analisarmos friamente o que está acontecendo, poderemos fazer frente à nossa impotência/abulia.”


Romanticamente falando, uma análise raciona de um problema certamente levaria à elucidação do mesmo, ainda mais quando o assunto se referia a pessoas inteligentes e racionais. Mas isso não funciona com Thanatos. Não basta uma anáse fria para fazer com que uma pessoa saia da abulia. É algo muito mais forte e “incompreensível”, invisível, irresistível, como a própria história refletiu, no seu desenrolar.


Eles foram para o banquete após uma ópera. Estaria a Silvia nela?


Interessante colocar a maior percepção do que está acontecendo na figura do médico. Parece realmente representar o analista, aquele que tenta compreender. Tanto que ele coloca que a análise do fenômeno vai lhes permitir romper com a inação.


Também é legal a colocação de que não estão subjugados por uma força mágica, que é justamente a sensação que surge quando se fica submetido, assim, à inação. Parece nitidamente que há algo ou alguém (essa idéia é mais forte) que nos impede de agir e fazer o que queremos ou precisar.


Edmundo também propõe um aidéia interessante: todos deveriam fazer silêncio e se concentrar num esforço de vontade para saírem da sala. Foi interrompido pelo Raul, que o acusa de tê-los colocado numa armadilha.


Dado novo: o convite para o banquete após a ópera foi feito de súbito?


Valkira (?) defende Edmundo e chama Raul de louco, que tenta dar uma de fodão (“se não fosse uma dama!”) e é belamente esbofeteado duas vezes.


Insólito: o maestro sai do armário do Anjo.


Que diabos ele fazia ali?

Que horas foi pra lá?

Foi para catar a Valkiria, que saiu antes? Mas ela havia se trancado ali dentro!


Ele estava com o fraque tirado.


Não há tempo hábil na narrativa para o maestgro ter dividido o armário com a Valkiria. Quando o Raul acusa o Edmundo ela já estava presente e o maestro havia sumido há pouco.


Não dá para ver os vasos quando ele sai do armário. Seria um banheiro? Ou eles estavam fazendo daquele armário um?


Almofadinha dá um xilique. Cobra açao por parte dos homens (como se ele não fosse um) e os acusa de reclamarem como rameiras. Ele se reflete completamente nas acusações que faz.


A irmã, Ana, se desculpa por ele. Diz que é mais frágil que uma menininha e que sofre dos nervos. Ele rebate: não são os nervos. Quer é ficar só.


Isto é um excelente elemento: como fica a dinâmica entre as pessoas que se veêm presas umas às outras. Como fica a sanidade mental de alguém?


Insólito: “Contente... não pelo extermínio.” - as palavras finais de Sergio.


Estranho: os noivos cochindo sobre ficarem a sós bem ao lado do gorducho de bigodinho que parecia estar ouvindo tudo e não muito satisfeito.


Corte


Agora foi a vez duma mulher sair do armárioo. Se eoncontra com as outras e têm uma conversa estranha:


Ergui a tampa e vi um precipício e as águas claras de um rio”.


Sim. E antes de sentar, uma águia cruzou perto de mim.”


A mim o vento me jogou folhas no rosto.” - Rita?


Tenho frio.” - Blanca


Parece, definitivamente, ser um banheiro. Mas que raio de conversa foi essa???



Corte: 3hs



O Gorducho de Bigodinho sai do armário que tem a Virgem na porta.


Outro banheiro?


Quem não dorme está tentando dormir. O médico cobre o rosto do Sergio. Declara o óbito. Fala com o Alvaro:


“Deveríamos evaporar ao morrermos. Não está certo ficar o corpo. Vai ter efeito sobre todos.”


Alvaro: “O maestro é quem devia ter morrido. Seria um a menos.” - Não entendi!


Valkira sai da armário Anjo pra dormir.


Eduardo vai para dentro dum armário com um santo na porta, onde a Beatriz já estava. Vão transar.


O médico e o Alvaro colocam o corpo do Sergio no armário ao lado do Anjo. Tiraram um violão (ou cello) de dentro.


Estranho: parece que o Eduardo broxou. Ou foi muito rápido.


Close nos rostos decepcionados dos dois. Depois em off (com o médico e o Alvaro escutando):


Eduardo: “Aqui desemboca o mar. Desce mais. Agora o rito horrível.”

Beatriz: “Meu amor.”

Eduardo: “Morte minha. Oh, ardil!”


Momento cômico (esse eu entendi): Mulher acorda com tanta sede que vai chupar um limão, mas vê a mão do Sergio cair pra fora do armário. Desmaia de susto, mas só depois de acordar a Valkiria, que não vê nada e volta a dormir.


Corte. Exterior


Forças armadas/policiais na rua em frente da casa.


41'

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