Finalmente creio que irei escrever minhas impressões sobre "The Matrix Reloaded", embora eu o tenha assistido em 27/05/03.
Primeiramente, a sensação que tive após sair do cinema foi de frustração.
Há algo de muito incômodo nesse filme: os personagens estão diferentes. Neo parece muito familiarizado com o mundo real, mesmo tendo que lidar com a adoração messiânica de parte da população que acredita que ele é a concretização da profecia e também com a sensação crescente de que Trinity irá morrer.
Morpheus está gordo e nervoso demais. A tripulação do Nabucodonossor não bate com a do primeiro filme. O agente Smith quase não aparece. Os demais agetnes não possuem personalidade e, talvez, o principal de tudo: não há um vilão neste filme. Os gêmeos não contam, e o Arquiteto muito menos.
O filme possui uma estrutura narrativa que em alguns momentos torna-se truncada. Talvez devido à sua relação de complementaridade com o "Enter The Matrix" ou uma eventual edição especial em DVD. De qualquer forma, personagens como o chefe de defesa de Sião e a mina dele e sua tripulação não se encaixam adequadamente ao filme.
A sequência de Sião é longa demais. Sua importância acaba ficando limitada por causa disso. A festa é um bom exemplo, já que ficou quase gratuita, embora eu suspeite que tinha a função de demonstrar que, após saírem da Matrix, o sexo ficou sendo a única fonte de prazer dos humanos. E se seguirmos esta linha de raciocínio, a coisa se complica, pois estaríamos quase ao nível de animais, cuja vida é comer e se reproduzir.
Me incomodaram muito as sequências com o Oráculo, com o carinha que mantinha o Key Maker preso e com o Arquiteto. É vergonhoso dizer, mas ñ entendi realmente o que se passou ali.
E há ainda o supremo incômodo: o que o Smith quer? E o que aconteceu com ele? Antes ele queria sair da Matrix e o Neo era apenas um obstáculo. Mas, agora, ele parece querer matar o Neo, se não der na Matrix, então, no mundo real. Mas a pequena participação dele no filme dificulta, e muito, determinar isso. Uma idéia que me ocorreu agora é a de que ele estaria querendo transformar a Matrix à sua imagem?!
E o lance dos predestinados anteriores que sempre faziam a mesma coisa?
E como é possível saber o que vai acontecer? Será que na Matrix, com seu ambiente controlado, é possível calcular todas as probabilidades e variáveis a ponto de saber o que vai acontecer?
Quallé, na real, a do Oráculo?
Por que o Neo não repetiu as escolhas dos anteriores?
E mais importante de tudo: como foi possível ele ter poder sobre os Sentinelas?
Por que ele não moldava a Matrix de acordo com sua vontade? É o que imaginei que aconteceria, ao final do primeiro filme.
Por que a anomalia sempre aparece?
Como acontece esse lance de Sião ser destruído e os que sobram começar tudo de novo sem passar a informação de que tudo acontece dentro de um sistema de segurança da própria Matrix?
Talvez por isso o filme seja tão incômodo: perguntas demais vão se acumulando ao longo das sequências de ação e ficam sem resposta. E nos forçam a assistir novamente, na busca por respostas que talvez só venham com o terceiro filme; ou talvez não venha!
Vi um comentário de que a parte da filosofia truncou o filme. Eu diria que o deixa mais complicado e também pouco compreensível para ser assistido uma vez só.
Virgínia assistiu e detestou. Também, loira!! ^^
Gosto bastante dela, mas que ela é bem burrinha, isso é.
Pra completar, creio que existam muitas referências no filme, a maioria não percebidas.
Do que notei até agora: Vertigo (primeiro filme); Evangelion; Patlabor; Império Contra-Ataca.
- Visão do Neo sobre a morte da Trinity
- Esperar o Oráculo: importância da profecia
- Neo: ícone religioso
- Kid: predestinado a fazer parte da Nabucodonossor
- Celebração: sexo?
- Neo não consegue dormir: ainda é humano? (como Harlam)
- As máquinas possuem o poder de dar vida e tomá-la. Nossa dependência delas nos torna plugados a elas (como na Matrix). "O que é controle? O que é liberdade?"
- Há uma razão para o Neo ter as habilidades que possui. Há de entender qual é essa razão.
