segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Superman - The Movie

Semana passada o mais famoso e aparecido crítico cinematográfico brasileiro escreveu sobre o último filme do Mickey Rourke - O Lutador - e colocou logo no início de seu texto a característica primordial do cinema como elemento de entretenimento leve e popularesco e, além do mais, de "fraude", já que o que ele faz é basicamente enganar os sentidos. É incrível que ele tenha escrito alguma coisa com a qual eu concorde, pois é exatamente isso que o cinema é: uma forma de entretenimento, basicamente. Claro que isto não significa que não possam ser feitos filmes sérios, pesados, soturnos, dramáticos, intelectuais, intelectualóides e por aí vai; mas o elemento fundamental do cinema ainda continua a ser entreter. Nasceu desta forma; permanece fortemente nela e, no dia q isso desaparecer por completo, o próprio cinema tb chegará ao seu fim. 

Claro, Rubens E. Filho é um idiota. Tem uma reputação de crítico mais alicerçada nos fatos de que provavelmente nunca fez outra coisa na vida além de ver filmes e de que a imprensa brasileira carecia (e carece, ainda) de profissionais relevantes do que de competência propriamente dita para analisar um filme. Nunca me escaparam à memória suas falas a respeito de Coração Satânico e Sem Saída, classificados por ele como filmes de finais absurdos. Ou quando escreveu sobre Sin City buscando demolir o filme apenas porque o considerou como uma afronta aos valores humanos ¬¬. E, desta feita, suas ressalvas são feitas em relação ao próprio Mickey Rourke, questionando se ele merece ganhar o Oscar de melhor ator pq, segundo sua visão, Rourke não fez nada em O Lutador além de ser ele mesmo ¬¬¬¬... 

Tá. E o que isso tudo tem a ver com Superman? 

Nada. E, ao mesmo tempo, tudo.

Porque Superman é um exemplo icônico do cinema de entretenimento no seu aspecto mais valioso, ou seja, entretem, mas entretem com qualidade. Nas suas mais de duas horas e meia de duração, o que temos é justamente o cinema levado ao seu ponto mais alto em termos de como a magia pode se tornar real através da irrealidade cinematográfica, tanto que o tempo passa despercebido. Mesmo tendo sido feito em 1978 (e lá se vão mais de 30 anos!) Superman ainda funciona perfeitamente bem, tanto em termos narrativos quanto de efeitos visuais, tanto que o marketing da época "você vai acreditar que o homem pode voar" poderia ainda ser usado: Chris Reeve realmente faz a gente acreditar que o Super-Homem existe. Mesmo com aquele uniforme colante com botas brilhantes (que já não se usa mais hj em dia, em filmes de heróis), o cabelinho "pega-rapaz" que se arruma sozinho, a troca quase mágica de roupa qd ele salta do prédio para ir atrás de Lex Luthor, ainda assim o filme mantém sua credibilidade. 

Poderia ser melhor se esses detalhes tivessem sido tratados de forma mais realista? Talvez, sim, talvez, não. Afinal, é um filme, e realidade é a última coisa a se esperar de um, quanto mais realidade pura e restrita. Porque o que importa é acreditar. É ficar na frente da tela de tv (não dá mais para vê-lo no cinema) e, nessas duas horas e meia, se intrigar com a forma como Jor-El conduz o julgamento de três aparentemente criminosos (a certeza disso só vem no segundo filme ou para quem já conhecia os gibis), pois pelo que percebemos o grande crime deles tinha sido tentar subverter a ordem política kryptoniana, ordem esta que, pouco depois, veremos ter sido a responsável fundamental pela destruição de sua civilização. É perceber, perplexos, como ele, após ser escorraçado no Conselho Kryptoniano apenas por tentar salvar seu povo, sacrifica não apenas a si mesmo e sua esposa mas toda a população para que possa ter a chance de garantir a sobreviência de seu filho e, nele, a herança da civilização kryptoniana. É testemunhar, não sem certo prazer, a queda daqueles conselheiros empostados diretamente do alto de seus pedestais literalmente nas profundezas do planeta graças às suas vaidades e soberba e, depois, em choque, não apenas ver, mas "sentir" a destruição de Krypton e de sua civililzação.

Mas com a sobrevivência de seu filho, a caminho agora do nosso planeta, para viver entre entre nós, mas nunca sendo um de nós. Felizmente.

E isso é apenas o começo do filme! Kal-El ainda chegará na Terra, será criado, amado e educado virtuosamente por um simples casal de fazendeiros de um canto insignificante dos EUA. Irá crescer e sofrer com a perda de seu pai e subsequente saída de casa, para encontrar seu destino e, nessa jornada, conhecer seu pai biológico e a si mesmo. Irá para a cidade grande, em busca de como ajudar as pessoas e se apaixonará. Lutará contra um vilão insano e perderá seu amor, num trauma tão grande que irá ignorar todas as restrições colocadas por Jor-El para trazê-la de volta. 

Meu, isso é cinema! Pois a cada desenrolar da trama, a cada cena, a cada enquadramento, a cada nota musical ou efeito sonoro existe o se surpreender, o se deleitar, o chorar... 

E existe o vilão! Um filme de herói precisa de um vilão e Lex Luthor é perfeito em sua insanidade, pois não temos um desses supervilões loucos que querem destruir o mundo apenas pela destruição, mas sim alguém que está colocando em prática um plano que matará milhões de pessoas pensando apenas e tão somente em lucro! O que há de mais verossímel do que isso? Os números? A idéia de que ganhar dinheiro mantando apenas um punhado de pessoas é mais realístico do que matando milhares ou milhões? Oras, em que planeta nós estamos, mesmo? Vivendo em que tipo de sociedade? Será que existe alguma diferença substancial entre esse Lex Luthor e os executivos da indústria bélica mundial? Da indústria petrolífera? Da própria indústria de alimentos?

Deixa pra lá. Lex Luthor é louco e isto é fato. Mas não por causa de seu plano de especulação imobiliária. Luthor é louco pq sucumbiu à megalomania. Acredita ser o homem mais espetacular do mundo, logo, o que são restrições éticas ou morais para ele?

Por fim, os atores. O filme precisava de gente boa pra funcionar e conseguiu não apenas isso, mas nomes de peso, também, para alicerça-lo como viável. Grandes atores em papéis tanto grandes quanto pequenos. E todos em volta do novato Christopher Reeve, que segurou e muito bem as dificuldades do papel, ainda que o centro da história não fosse a dicotomia Super-Homem/Clark Kent. 

Marlon Brando faz um Jor-El impecável tanto como acusador quanto como conselheiro, cientista e pai. Um ator que mostra que seu personagem deve ser levado a sério. Que está certo em suas convicções não por questão de opinião, mas porque sabe que está certo. E com a pequena "falha" moral (e humana, apesar de Jor-El não o ser) de sacrificar o bem maior de seu povo para ficar livre e salvar apenas o próprio filho. Claro que os três poderiam ter fugido juntos, de Krypton. Mas e a ética, depois que se dá a palavra?

Gene Hackman também é outro que merece grande crédito, pois se Brando nos faz acreditar em Jor-El, Hackman nos faz acreditar em Lex Luthor. Nos mostra que esse homem fará qualquer coisa em benefício próprio e não em termos de sobrevivência, mas de riqueza, de luxo e magnificência de seu ego. Luthor é louco? Sim, é. Mas não daqueles q precisam ser presos num hospício. Sua insanidade é acreditar demais em sua própria inteligência. 

Luthor poderia ser um chato brutal, preocupado apenas e tão somente com seu plano. Hackman coloca humor e leveza nesse personagem e, mais importante: nem por isso o deixa menos letal. 

Glenn Ford, Ned Beatty, Susannah York, Trevor Howard, Terence Stamp, todo mundo deu uma contribuição gigantesca por menores que tenham sido seus papéis. Não dá pra falar de cada um. Tempo....  

Mas dá pra dizer ainda uma coisa: Super-Homem foi, juntamente com Guerra Nas Estrelas, um dos grandes filmes q marcaram minha infância e ainda funciona como filme e me emociona como espectador, mesmo tendo se passado trinta anos e um sem número de reprises na tv e, depois, com o DVD, em casa. 

E essa é minha opinião subjetiva: esse penúltimo parágrafo.