quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Anjo Exterminador - Anotações Finais

Alvaro perde a paciência com a mulher do maestro, que quer comida. Todos estão nervosos. Raul já havia novamente acusado Edmundo do que está acontecendo. O médico se surpreende com a reação de Alvaro.


Muito boa a fala da Blanca:


“Todos, até os melhores, começam a perder a cabeça.”


É a horda por baixo da fina camada de civilização. Embora ele se recomponhya e peça desculpas reiteradas. Destaca que não sabe o que lhe deu, que estava fora de si.


A mulher que tava morrendo, por sua vez, pede compaixão por ela.


Egoísmo individual, que teoricamente deveria ter sido substituído nessa situação de crise pela ação de busca do bem coletivo.


O médico também já havia dito que com tantos problemas era difícil enxergar as coisas com clareza.


Edmundo sugere que homens e mulheres durmam separados. O gorducho de bigodinho se sentiu ofendido: “somos cavalheiros” e o Raul xinga Edmundo de degenerado e que então não se levasse em consideração o que ele disse.


Valkiria acha uma boa idéia e o médico pede para q Edmundo deixe pra lá quando ele tenta se explicar com os dois fdp. Ele chama-lhe a atenção: “Não compreende?”, de que não adianta falar com aquelas pessoas. Já não fazem parte da civilização, embora ainda se julguem civilizados, ou pior, melhores que os outros.


São interrompidos quando ouvem os balidos dos cordeiros e o urso. Ficam estagnados. Em alguns há até mesmo o olhar louco. Os animais representam comida.


É interessante que, embora as pessoas tenham cercado os cordeiros (e os matado para comer. Espero que não os tenham comido vivos) era o rugido do urso que se ouvia enquanto se mostrava um lustre no escuro. Creio que a comparação é óbvia: o urso é o animal, mas são as pessoas que estão se comportando como tal.



Exterior


Um pároco falando com crianças. São os filhos de Christian Gallo. Trazidos para ver o lugar onde seus pais estão.


Ele compra balões na rua. A situação já se tornou um espetáculo.


Um tiozinho diz que pode entrar na casa e resolver a situação. Quer ser ouvido. Um militar é chamado por um homem que o chama de “mais um louco”.


Comoção: Johnny (por que esses nomes americanizados?), um dos filhos de Christian (são cinco, ao que parece) entra no quintal da casa, coisa que ninguém mais conseguia fazer. Mas parou no meio do caminho e voltou, ignorando a torcida para que avançasse.


Interior


Um dos cordeiros foi poupado para ser abatido mais tarde. A sala já parece uma caverna de bárbaros, com o violão sendo quebrado para alimentar o fogo.


Enquanto a mulher do maestro corta as unhas dos pés, de novo o médico (?) tenta o discurso civilizatório:


“Se não quisermos descer ainda mais baixo, devemos manter a limpeza e a ordem.”


Edmundo está com a cabeça enfaixada. Aparentemente houve um ataque. Luzia disse que são um bando de selvagens e que Letícia e ele (ou Alvaro) o defenderam.


Ela e Alvaro estão mais juntos. Edmundo não parece se importar.



No estado de horda não haveria mais porque se importar com a mulher tendo outros machos?


Mulher que tava com o pássaro dentro da bolsa, na verdade estava apenas com os pés deles, que ela agora chama de “chaves do desconhecido”. Levou essas coisas pois antes de sair ouviu uma voz que lhe mandava fazer isso.


Começa um ritual de magia com ela, Silvia e Blanca.


Parece que falam em hebraico: “adonai”??


Raul usando o barbeador elétrico para depilar as pernas.


O gorducho tira o plugue da tomada e o olha, censura em seu olhar.


Edmundo vai abater o outro cordeiro (cordeiros: animais para sacrifícios?). Valkiria tira sua faixa da cabeça e venda os olhos do animal, num gesto de piedade para com ele. Entrega a faca a Edmundo. Tristeza em seu semblante. O bichinho se aninha em seu rosto.


A bruxaria das mulheres não deu certo por falta de sangue inocente (acho que estava com um pássaro inteiro, mm, pois jogou penas para o alto). Essa cena vem logo após o cordeiro se aninhar em Edmundo. Representa a morte do bichinho?


Eduardo e Beatriz se mataram. Uma doida olha para os cadáveres dos dois dentro do armário do Santo (qual?) e começa a dar risadas. Todos querem ficar olhando os cadáveres. O médico tenta afastá-los.


E essa fascinação mórbida pela morte? O que representa?


O urso caminhando pela casa: dá para entendê-lo como representando algo? Talvez a selvageria num ambiente civilizado?


Finalmente alguém imaginou o que poderia acontecer se empurrassem alguém para fora da sala. Foi o Almofadinha. O gorducho de bigode disso que o mataria se fizesse issoo.


Um cara dá um grito maçônico de socorro. É um grito hebraico! “Adonai!”


Leandro é maçom. Parece que o maestro também. Fala sobre a “palavra impronunciável: H”.


Almofadinha provoca briga, comprada pela irmã. Ele ri e ri, até que depois começa a chorar.


Estranho: sequência de sonhos/delírios que parece que Raul, uma Loira, Edmundo e Valquiria estavam tendo.


Almofadinha não consegue mais drogas e fica desiludido.


Intoxicação como caminho para fuga da dor.


Exterior. Noite.


Há uma bandeira amarela na casa, proclamando-a em quarentena.


Os serviçais se encontram na frente dela. Conversam sobre como estarão lá dentro. Vivos, mortos, comida apodrecida.


O urso aprece no quintal. Um dos criados grita para que não atirem, pois ele é manso.


Dois agentes se vêem interessados pela presença da criadagem.


Interior.


Cena silenciosa. A sala esta limpa e arrumada.


Blanca diz que Raul falou que quando Nóbili (Edmundo) morrer, tudo termina.


“Morrendo a aranha a teia se desfaz.”


Chegaram ao ponto de querer matar alguém. Por isso a referência a como ele tá junto de Letícia (Valkiria). O médico percebe a obscenidade em formação e começa nova discussão. Ele vê como isso é irracional. Mas uma velha (Leonora?) fala para materem ele, também, por se opôr à morte o Edmundo.


Razão e civilização: Alvaro, Médico, Edmundo, Valkiria. Julio também fica ao lado do patrão.


A palavra impronunciável: “H” de homicídio?


Fala do médico:


“A morte de Edmundo não será a única. O fim da dignidade humana é a transformação em animais.”


Blanca lavia tocado uma sonata de Paradis??


Quando Edmundo ia morrer (suicídio, creio. Melhor do que ser massacrado pela horda) Letícia toma conta de tudo, ao chamar a atenção para como todos estavam nas mesmas posições da noite fatídica. Reencenar tal noite lhes garantiu a liberdade.


Reencenar = repetir? A volta ao mesmo?




Corte. igreja/catedral. Dia.



Missa. Canção.


Todos estão na missa. Blanca, de luto.


A missa termina. Mostra Raul fazendo gestos religiosos típicos.


Cheiro de hipocrisia.


O fenômeno recomeça. Todos ficam presos na igreja.


Os protagonistas originais também?


A igreja está em quarentena. Sinos. Tiros. Militares estão atirando para dispersar uma multidão em frente à igreja. Cordeiros aparecem e se dirigem para a igreja.


De onde vêm?


Por que houve a necessidade de violência? E por que se repete o fenômeno?


Ora, a base dele é a repetição.


Então, o que se repetia naquela noite? Hipocrisia social?

Anjo Exterminador - Anotações (54' a 61')

Edmundo mostra pro médico que tem drogas (provavelmente cocaína) para que ele possa usar na mulher que está morrendo, como analgésico. O Almofadinha se empolga ao ouvir falar em morfina, e ao se juntar à irmã, demonstra querer roubá-la para eles, durante a noite.


Aparentemente, neste ponto da história, ninguém mais se preocupa com a questão de não serem capazes de sair da sala.


E por que o fenômeno atingiu o Julio só depois que os outros? Por ter ele dormido na cozinha, longe dos ricos, ou por não ser ele um rico, apenas um aculturado pelos burgueses?


Almofadinha ofende Blanca, por causa de seu cheiro, sendo que todos estão fedendo. Ao ser censurado, dispara como detesta a todos. Como o enojam.


Contínua deterioração moral e social.


Como será que está o Ego e o SuperEgo nessa situação?


A julgar pelas ações dele e do Raul, o SuperEgo está cada vez mais fraco, enquanto que os impulsos do Id se afloram com maior facilidade.


À medida que a decadência avança, educação, consideração, respeito, se revelam como sendo apenas convenções sociais. Uma cultura formada pela civilização, ou vice-versa.


A situação limite deles faz com que as convenções caiam e, por conseguinte, a civilização, também.


Seria o momento em que eles estão voltando para o estado de horda?


Interessante a reação de Edmundo ao Almofadinha:


“Desde criança é o que mais odeio: a grosseria, a violência, a sujeira, que são agora nossas companheiras inseparáveis. É preferível a morte a esta promiscuidade.”


parece que ele e o Alvaro são os que estão mais estáveis, embora o Alvaro esteja dando bandeira demais em relação à Luzia, ficando juntos e beijando a mão dela.


Seria para colocar o Edmundo como corno manso? Como será que vai ficar a civilidade do Edmundo em relação a isso?


Noite. Mulher sussurrando durante o sono. Enquadramento inicial: objetos sobre uma mesa: um copo com água; uma imagem (?); uma caixinha de vidro; papel ou pano amassado; duas outras coisas que não distigui o que são.


Os sussurros da mulher estão sem legendas. Não é espanhol o que ela fala?


Estranho: uma mão sai de um armário e começa a andar pela sala, no escuro. A mulher se assusta e bate na mão com a estátua. Mas a mão volta e vem por baixo da roupa dela até o pescoço. Ela a afasta e a ataca com uma faca. Um grito. Uma mulher tira sua mão. Parece que era apenas um sonho ou um delírio. Decidem prender a mulher.


O médico está distribuindo a droga entre os enfermos. Deu pedaço para o Leandro.


Não é coca e, se for, é em pasta endurecida?


Os noivos dormem juntos num armário. Conversa do cara parece sugerir suicídio conjunto.


Almofadinha roubou a caixa com as drogas.


O maestro acorda e resolve bolinar as mulheres. Mexeu com a do Leandro, que achou que foi o Alvaro. Começam a brigar. O doutor se interpõe, buscando acalmar os ânimos. Tem uma fala interessante:


“Isto é uma loucura. Acalmem-se e depois falem. Tudo menos brigar. É indigno de nós. Lembrem-se de quem são. Como foram educados.”


De novo o médico é o discurso que busca manter a civilização (e a horda afastada).



61'


Anjo Exterminador - Anotações (52' e 53')

Alvaro propõe uma prece coletiva, para que Deus os liberte. Ele mesmo reconhece que só um milagre os salvará.


Luzia pede ajuda a Alvaro, não ao marido. Aparentemente ele é mais atuante que o Edmundo. Talvez por ser militar?


Ela se refere a Deus como Providência Divina. Poderia a rua se chamar Rua da Prividência como uma indicação da atuação divina nos acontecimentos? Ou que iria atuar?


Tentam vedar o armário onde está o corpo do Sergio, para bloquear o fedor.


Por que não tentaram joga-lo para fora da sala? Não há janelas nessa sala?


Enquanto uma mulher agoniza, sentindo frio, uma outra ainda cosegue se preocupar futilmente com o próprio rosto, mexendo nele e se olhando no espelho.


Julio tira o entulho da quebra da parede, jogando-o para fora da sala. Mas só consegue chegar até o portal.


Emblemático o limite imposto pelo portal como até onde eles poderiam agir.


Raul está caçando bitucas de cigarro e fósforos no lixo. Encontra os remédios do Christian. Joga-os para bem longe.


Demonstração da decadência moral a que estão chegando, já que uma coisa é você prejucar alguém material ou moralmente; outra é deliberadamente afetar sua saúde, podendo até mesmo provocar sua morte. É sadismo e crueldade. Puro e simples.


É humano.


Blanca está arrancando os cabelos. O médico intervem.


A cancerosa está em agonia. Pra ela, o médico oculta a gravidade da situação. Mas para o Edmundo ele fala sobre a necessidade de medicamentos. Ele está em posição de comiseração.


A cancerosa quer o médico junto dela. Lhe dá conforto.


Transferência ainda atuante.


Ela quer ir para Lourdes, se saírem da casa. Mas que o médico a leve. E lhe compre uma imagem. Diz que só a Virgem pode salva-los.


Viagem religiosa? Faz referência à Virgem. Por que o médico tem que comprar uma imagem pra ela?


Há janelas, sim! Por que ninguém tentou sair por elas, ou, então, jogar coisas por elas?

Porque o símbolo de suas inações é o portal da sala. É necessário um símbolo que represente a inércia da pessoa. Algo que mostre claramente como ela está imobilizada.



53'

Anjo Exterminador - Anotações (42' a 50')

Pessoas ricas chegando ao local. Um militar (Comandante) se dirige a alguém que ele designa como Engenheiro. Discutem sobre a situação e como ninguém consegue entrar na casa, apesar de não haver nada para impedí-los.


Já se passaram quatro dias.


Também eles percebem o absurdo da situação:


Arquiteto: “Mais fácil que instalar auto-falantes é entrar na casa, já que nada nos impede.”


A horda de curiosos força passagem pela polícia, querendo entrar. Todos param à beira do portão. Também estão imobilizados, só que pelo lado de fora.


Imagino que isso possa indicar que Thanatos tem ação tanto dentro da casa (internamente, no sentido de autodestruição) quanto fora (externamente, numa destruição simples; agressividade). Talvez até mesmo a disposição da horda em forçar passagem possa expressar a agressividade, embora não tenham sido violentos. Isso vai acontecer depois. No final vai haver violência.


Corte. Interior


Julio esta usando um machando (da coleção de armas previamente destacada) para quebrar uma parede onde passa um cano d'água (incrível saberem que ali tem o cano. Isto sim é inverossímel!). O Raul estava desmontando uma maça, que usou para quebrar o cano. A horda avançou em direção à água e Raul afasta os homens dizendo que as mulheres devem ir primeiro (aparentemente recuou na sua postura de acusações contra Edmundo). O Almofadinha não quis esperar e foi afastado fisicamente pelo Alvaro. A irmã tomou as dores.


Hmmm... haveria aí um esboço de incesto? Ou da irmã assumindo a postura de mãe?


Enquanto esperavam uma mulher reclmaou dos sapatos apertados, embora muitos estivessem descalços.


Em termos de apresentenção pessoal, já estavam em decadência, apesar do lance do sapato que mantém a postura burguesa de elegância à frente da praticidade e do conforto.


Quando o médico alerta por ordem, aparece o primeiro erro de continuidad, pois ele estava à direita do gurpo, sem óculos, e logo em seguida está à esquerda, com os óculos.


Já há pessoas doentes. Duas mulheres. Valkiria cuida delas. O maestro, também. Sua esposa Alicia cuidando dele (é bem mais nova que o velho).


Mulheres se “banhando”: uma reclama que seria melhor não ter vindo.


Culpa pela situação, embora difusa: culpa dela ou do Edmundo, que convidou?

A situação é insuportável e, na impossibilidade de agir, lamenta-se.


Julio come papel. Engana a fome. Fazia isso quando estava na escola dos jesuítas. Diz que são gente boa. Mas as crianças se aborreciam na escola. Explica para Beatriz que se o papel é feito a partir das árvores, não pode fazer mal.


Um adas doentes delirando:


príncipe, salva-me! O pacto!


Seria o príncipe Lucart?? É a mulher que falou dele, antes?


Julio foi chamado para ajudar a estancar a água.


O Almofadinha está fazendo a barba, sentado no chão, com um barbeador elétrico. Uma mulher atrás dele. Raul tira o plugue da tomada e joga nele, que só então percebe que o aparelho foi desligado.


Aparentemente o Raul fez isso porque o Almofadinha já estava há muito tempo fazendo uma barba que não existia mais.


Almofadinha dá outro xilique, desta vez por conta duma mulher penteando os cabelos. A irmã protetora intervem:


Não posso mais, juro! Não aguento vê-la penteando meia cabeça. Eu a odeio (me dá ódio). Prefiro a fome e a sede a ter de vê-la.”


Por que não se penteia direito? Assim! Assim! Até embaixo! Não dá para aguentar suas manias!”


Almofadinha quebra o pente.


Reação exagerada fruto da convivência forçada numa situação limítrofe (não ameaçadora, já que ninguém pode dizer que algum mal está em ação.


A mulher não esboça reação. Anestesiada diante da situação, está.


Rita procura com Beatriz o remédio do marido, Christian. Beatriz começa a procurar.


Enquanto uns surtam e agridem, outros permanecem calmos e solidários. São as reações diversas de pessoas diferentes frente a essa mesma situação limite.


Estão sem comer há dois dias.


Rita e Christian começam a discutir por causa do preceptor dos filhos. Antes ele havia reclamado que alguém escondeu seus remédios só para que ele morresse (o que parecia paranóia tinha muito de verdade. “Não é porque vc é paranóico que não tem alguém te perseguindo”). Agora acusa a esposa de deixar o abade ficar dando em cima dela.


E que abade safado!! Nada, nada, já dá pra fazer uma bela crítica ao Clero nisto.


Sua discussão chama a atenção de Raul e do Edmundo, mais ao fundo. Christian começa a discutir com Raul.


Edmundo tenta interferir, buscando que as pessoas se tratem cordialmente. É agredito tanto por Christian quanto por Raul. Os dois que estavam a ponto de se pegar, agora estão unidos contra quem julgam ser o anfitrião de suas desgraças. Raul novamente o culpa de tudo.


Alvaro vai busca-lo para tira-lo da discussão. O mesmo amigo hipócrita que cata a mulher do outro.


Estão os três no mesmo enquadramento.



50'

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Anotações do Anjo Exterminador (27' a 41')

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Surge a discussão sobre a situação de ninguém ter ido embora e todos permanecerem na sala.


O cara do bigode ainda chama a atenção para o mais estranho, que é ninguém fazer perguntas sobre tal situação.


A conversa se torna notada. Uma das mulheres achou legal ficarem lá, daquele jeito. Outra (Silvia?) disse que notou a situação mas não disse nada por educação.


Educação/civilização pode então ser um elemento que funciona como limitador ou bloqueador quer da percepção de situações estranhas, quer de bloqueamento mesmo de tais situações.


Os outros homens, antes, haviam dito que não sabiam porque não haviam ido embora. Apesar disso tudo, do surgimento da consciência sobre a situação fantástica e mórbida na qual estão, ainda assim ninguém consegue sair da sala.


O gorducho já não estranha.


Questão do médico: por que Luzia mandou servir o café na sala, ao invés de na sala de jantar? Ela não sabe (porque eles não podem sair).


Blanca e o maestro estão alarmados e dizendo que irão embora, mas não conseguem. Se detém conversando com Rita, depois racionalizam que é melhor tomar o café antes de partirem.


Blanca não vai comer, mas também não parte. Senta-se desolada à beira do portal.


De qualquer maneira, a ação desejada não se consolida. E mesmo que não saibam porque, ainda assim fazem outras coisas ao invés daquilo que querem.


Enquanto há os que se perturbam e questionam a situação, outros ridicularizam tudo, como um falso alarde.


Resistência à consciência parcial.


Julio também funciona como reforço à situação de inércia, pois quando lhe mandam buscar colheres ele não consegue sair da sala. Primeiro ele se oferece para trazer coisas para outras pessoas, depois que vai esperar todos terminarem para pegar o carrinho e, finalmente, quando ordenado tacitamente por Luzia, desaba sobre uma cadeira.


O que aconteceria se pegassem alguém e o jogassem pela porta?


Luzia lhe pergunta o que acontece, sem obter resposta. Faz o mesmo com Blanca, que também não responde, mas já está chorando.


O silêncio dos dois exprime a ignorância do indivíduo em relação ao porquê de não conseguir agir contra a inércia.


O médico confirma suas observações quanto ao estranho fenômeno. Mas não sabe explicá-lo. Seria ele “Freud”?


Interessante notar que todos se reuniram na casa em busca do prazer que o banquete lhes proporcionaria. Mas, a despeito do quanto a festa possa ter sido prazerosa, a situação desconfortável e insólita se armou. Não foi preciso haver desconforto prévio para isso, ao contrário.


Como juntar isso ao “Além Do Princípio Do Prazer”?


Tempestade cai à noite (o dia se passou sem mais nada visto).


Teria essa chuva algum significado além de apenas criar clima?


Piano ao fundo, sendo tocado de qualquer jeito enquanto a câmera passeia pela casa em direção à sala onde todos estão “presos”.


Valkiria assume uma postura de impaciência junto ao piano (fecha a tampa das teclas. Diz que há alguém doente, como justificativa para isso). Parece que era a Blanca quem tocava.


Por que justamente o cara que não estava vendo graça nenhuma na festa foi o mais afetado pela situação?


Teria a Pulsão de Morte uma força destrutiva maior sobre aqueles que já não sentem mais prazer (ou o sente de forma limitada)?


O médico chama o Christian para dizer que é preciso fazerem um esforço para romper a abulia, para poder levar o Sergio a um hospital.


Isso demonstra a consciência da necessidade de ação, mas que por si só não significa que se conseguira agir.


Christian fala isso para o Almofadinha e um gorducho. Este replica: “por que não fazem algo e nós iremos atrás?”


É a acomodação racionalizada que deixa a responsabilidade da ação para outros (pessoas ou objetos).


Almofadinha chora/surta para a irmã, colocando a culpa nela por eles estarem ali. Calmamente ela diz que foi ele que insistiu para que fossem à festa.



Valkiria entra num dos armários (o que tem um anjo segurando uma lança) com figuras religiosas pintadas nas portas e se tranca lá dentro, onde já havia um conjunto de vasos.


Por quê? O que significa?


A Beatriz pede água, que acabou; café, que acabou. Seu noivo, Eduardo, tira as flores de um vaso para oferecer a água suja para ela, que não aceita e prefere esperar.


Estranho ele ter feito isso com tanta naturalidade. Sinal da civilização já indo embora?


Finalmente as pessoas começam a perder o controle e algumas mulheres dão os surtos que lhes são tão característicos.


Surge a questão de por que ninguém entrou na casa em busca deles (o que pareceu ser ainda mais alarmante).


O maestro percebe que o que está acontecendo tem a ver com a fuga da criadagem.


Christian: “Maravilha! Nada explica nada!”


Por que os criados fugiram? O que eles sabiam/sentiam? O que revelam? Teriam deixado o Julio de fora porque, como mordomo, estava por demais vinculado à visão de mundo dos patrões? Era um aculturado/cooptado?


O Edmundo tenta colocar um pouco de sensatez na história, embora alguns culpem os criados (comparação com ratos, que o gorducho faz).


Julio interfere e diz que os criados não pareciam saber porque estavam indo embora. Que tudo estava bem até pouco antes dos comensais chegarem. O que transfere a “culpa” do elemento deflagrador para eles.


Fala do médico:


Uma situação como esta não pode durar indefinidamente. Não estamos enfeitiçados. Este não é o castelo de um bruxo. Se analisarmos friamente o que está acontecendo, poderemos fazer frente à nossa impotência/abulia.”


Romanticamente falando, uma análise raciona de um problema certamente levaria à elucidação do mesmo, ainda mais quando o assunto se referia a pessoas inteligentes e racionais. Mas isso não funciona com Thanatos. Não basta uma anáse fria para fazer com que uma pessoa saia da abulia. É algo muito mais forte e “incompreensível”, invisível, irresistível, como a própria história refletiu, no seu desenrolar.


Eles foram para o banquete após uma ópera. Estaria a Silvia nela?


Interessante colocar a maior percepção do que está acontecendo na figura do médico. Parece realmente representar o analista, aquele que tenta compreender. Tanto que ele coloca que a análise do fenômeno vai lhes permitir romper com a inação.


Também é legal a colocação de que não estão subjugados por uma força mágica, que é justamente a sensação que surge quando se fica submetido, assim, à inação. Parece nitidamente que há algo ou alguém (essa idéia é mais forte) que nos impede de agir e fazer o que queremos ou precisar.


Edmundo também propõe um aidéia interessante: todos deveriam fazer silêncio e se concentrar num esforço de vontade para saírem da sala. Foi interrompido pelo Raul, que o acusa de tê-los colocado numa armadilha.


Dado novo: o convite para o banquete após a ópera foi feito de súbito?


Valkira (?) defende Edmundo e chama Raul de louco, que tenta dar uma de fodão (“se não fosse uma dama!”) e é belamente esbofeteado duas vezes.


Insólito: o maestro sai do armário do Anjo.


Que diabos ele fazia ali?

Que horas foi pra lá?

Foi para catar a Valkiria, que saiu antes? Mas ela havia se trancado ali dentro!


Ele estava com o fraque tirado.


Não há tempo hábil na narrativa para o maestgro ter dividido o armário com a Valkiria. Quando o Raul acusa o Edmundo ela já estava presente e o maestro havia sumido há pouco.


Não dá para ver os vasos quando ele sai do armário. Seria um banheiro? Ou eles estavam fazendo daquele armário um?


Almofadinha dá um xilique. Cobra açao por parte dos homens (como se ele não fosse um) e os acusa de reclamarem como rameiras. Ele se reflete completamente nas acusações que faz.


A irmã, Ana, se desculpa por ele. Diz que é mais frágil que uma menininha e que sofre dos nervos. Ele rebate: não são os nervos. Quer é ficar só.


Isto é um excelente elemento: como fica a dinâmica entre as pessoas que se veêm presas umas às outras. Como fica a sanidade mental de alguém?


Insólito: “Contente... não pelo extermínio.” - as palavras finais de Sergio.


Estranho: os noivos cochindo sobre ficarem a sós bem ao lado do gorducho de bigodinho que parecia estar ouvindo tudo e não muito satisfeito.


Corte


Agora foi a vez duma mulher sair do armárioo. Se eoncontra com as outras e têm uma conversa estranha:


Ergui a tampa e vi um precipício e as águas claras de um rio”.


Sim. E antes de sentar, uma águia cruzou perto de mim.”


A mim o vento me jogou folhas no rosto.” - Rita?


Tenho frio.” - Blanca


Parece, definitivamente, ser um banheiro. Mas que raio de conversa foi essa???



Corte: 3hs



O Gorducho de Bigodinho sai do armário que tem a Virgem na porta.


Outro banheiro?


Quem não dorme está tentando dormir. O médico cobre o rosto do Sergio. Declara o óbito. Fala com o Alvaro:


“Deveríamos evaporar ao morrermos. Não está certo ficar o corpo. Vai ter efeito sobre todos.”


Alvaro: “O maestro é quem devia ter morrido. Seria um a menos.” - Não entendi!


Valkira sai da armário Anjo pra dormir.


Eduardo vai para dentro dum armário com um santo na porta, onde a Beatriz já estava. Vão transar.


O médico e o Alvaro colocam o corpo do Sergio no armário ao lado do Anjo. Tiraram um violão (ou cello) de dentro.


Estranho: parece que o Eduardo broxou. Ou foi muito rápido.


Close nos rostos decepcionados dos dois. Depois em off (com o médico e o Alvaro escutando):


Eduardo: “Aqui desemboca o mar. Desce mais. Agora o rito horrível.”

Beatriz: “Meu amor.”

Eduardo: “Morte minha. Oh, ardil!”


Momento cômico (esse eu entendi): Mulher acorda com tanta sede que vai chupar um limão, mas vê a mão do Sergio cair pra fora do armário. Desmaia de susto, mas só depois de acordar a Valkiria, que não vê nada e volta a dormir.


Corte. Exterior


Forças armadas/policiais na rua em frente da casa.


41'

Anjo Exterminador - 1os 26 minutos

Anotações para análise do filme:

ANJO EXTERMINADOR (1962)


Direção & Roteiro: Luís Buñuel



PERSONAGENS


Serviçais:


Julio = mordomo

Lucas = ??

Cozinheiro Gordo = Pablo

Cozinheira Gorducha = Camila

Ajudante de Cozinha = ?

Camareira = ?

Donos da casa:


Edmundo Nóbili = anfitrião

Luzia Nóbili = anfitriã


Convidados:


Blanca = pianista


Alvaro Aralda (?) = Coronel


Sergio Russi = velho rabugento


Letícia = Valkiria


Beatriz = Noiva

Eduardo = Noivo


Leonora = Cancerosa


Christian Ubaldi =

Rita = mulher do Christian


Leandro Gomes =



Alberto Rocco = maestro

Alícia Rocco = mulher do maestro


Raul = gorducho aleijado


Dr. Carlos Conde = o médico


Silvia =


Francisco Avila = gorducho de bigode?

Juana Avila = mulher do gorducho de bigode


Ana Maynar = irmã do almofadinha





Começa enquadrando o que parece ser a frente de uma catedral.


Qual?

De que estilo?


As portas estão fechadas.


Enquanto passam os créditos, toca uma música religiosa.


Orgão e coral.

Que música é?

O que cantam?


O movimento da câmera de “cima para baixo” na catedral fez com que ela pareça uma maquete.



FADE OUT


Começa a história.


Localização: Rua da Providência (CALLE DE LA PROVIDENCIA, em letras de forma brancas contra um fundo preto)


O formato da placa, junto com a estaca na qual está presa, lembra uma cruz.


Teria a ver o nome com a Providência Divina?


A placa, no seu formato, também me lembra boinas militares. Será??


Câmera se move para amostrar a rua, com carros e transeuntes, na frente da casa onde acontecerá a história.


Existem dois pedestres e dois carros indo. Depois, dois carros voltando.


Algum significado nisso?


Câmera fecha no portão da mansão, que se abre. Alguém sai. É o Lucas (função na casa???), que é atrapalhado pelo mordomo na sua tentativa de ir embora.


Uma breve discussão, com o mordomo chamando atenção para a quantidade de convidados que estavam sendo esperados.


A explicação do Lucas é esdrúxula:


“ir dar uma volta” e “não ter pensado nos convidados”.


Disse que voltaria logo, mas o mordomo diz que não precisa se dar ao trabalho de voltar.


Julio, o mordomo, está de fraque, todo engomado, em consonância com os convidados (o serviçal que entra em contato com a família e seus convidados tem que ser e estar apresentável.


Usava fraque. Provavelmente o padrão de moda da época.

Já o Lucas usava boina e roupas de frio (um casaco)


Corte: Sala de café (?) e jantar: luxuosas.


Um lacaio cuida da iluminação, acendendo castiçais. Um toque de requinte, provavelmente, já que tinham energia elétrica.


A sala de jantar é clássica, com mesa retangular. Há uma tela grande ao fundo, indiscernível. Me lembra uma mão com dedos esticados e o que seria o arranjo de flores, mas parece um pássaro.


O mordomo Julio pergunta aos dois criados (vestidos como ele) se o Lucas se indispôs com eles. Eles respondem que não. Julio diz que se ele não estava bem na casa era melhor, mesmo, ter ido embora. Ressalta que há muitos como ele no mundo (aludindo à facilidade de substitui-lo). O lacaio careca retruca: “- Questão de gosto. Quem sabe?” -, com um leve tom de reprovação ao comentário do mordomo. Depois disso os dois criados se olham em silêncio e de forma suspeita, como se soubessem de algo. O criado careca faz um gesto com a cabeça e o criado com cabelo se retira da sala.


Corte: Cozinha



Dois cozinheiros com uniformes clássicos da função. Uma mulher (Camila) e dois homens (o gordo é o Pablo).


Há um cisne de gelo, muita comida e frutas. É uma cozinha comum, excluindo-se o cisne, que estava lá para dar o famoso “toque de classe”. Nada fora do lugar ou que chame a atenção.


A mulher de uniforme preto (camareira, provavelmente) fala com a Camila. Conversam sobre como querem ir logo embora, sobre onde ficar, à aquela hora da noite e que a noite está feia.


Há um relógio na cozinha. Parecem ser 22hs10.


O ajudante de cozinha se oferece para acompanhar as mulheres, ao qual é repreendido pelo cozinheiro Pablo, que diz que ele tem que esperar por ele.


Elas começam a retirar os uniformes.


Novamente o número dois: dois homens; duas mulheres


O Criado Careca entra e fica atrás do cisne de gelo. Tem uma panela ao lado que parece ter alguns peixes esquisitos ou lagostas. Ele reclama do caviar ainda não estar preparado. O cozinheiro diz que é pra depois, pois a Senhora (Luzia) quer que o guisado seja servido primeiro. O outro criado diz que foi encarregado de servi-lo. Já o Careca diz: “- De ser o palhaço.”


Corte: Exterior


Os convidados chegam em seus carros.


As criadas passam pela cozinha, sem os uniformes, indo embora. O cozinheiro olha para elas. Parece que desejando ir, também.


Elas evitam os convidados, se escondendo. O patrão Edmundo chama pelo Lucas. Todos sobem para tira os casacos. Estão com roupas aristocráticas: casacos, fraques, cartolas. Os caras têm grana.


As criadas fogem. Antes a mais velha diz que não é certo ir embora desse jeito. Parecia estar com dor na consciência. A outra ralha: “Devia ter pensando nisso antes.”


Então havia um plano para a criadagem ir embora?


Na cozinha os cozinheiros dão os toques finais no cisne de gelo: um o seca enquanto o outro coloca o que parece ser o caviar.


Os lacaios servem as bebidas. Usam luvas, agora. O mordomo só inspeciona. Os convidados estão reunidos na sala de jantar.


Tela ao fundo atrás da Luzia: crianças?


Conversa estranha: Um dos convidados (o coronel mais jovem do Exécito, mas que não é um herói) diz que não suporta os canhões. Blanca então pergunta o que é a Pátria, então, ao que o Álvaro responde: “É um conjunto de rios que dão no mar.”


Visão cínica. Não liga para o país, apenas para seus status no Exército.

Onde a história se passa? México? Espanha? Tanto faz?


Não entendi a piada:


“O que é morrer.”

“Sim, morrer pela Pátria.”


Edmundo, o anfitrião, faz um brindo a Silvia (uma artista?) por sua “crianção da noiva virgem de Bermuda.” Aparentemente ela os entreteve com tal virgem antes do banquete.


Línguas felinas:


Cara: “noiva, ainda passa. Mas, virgem?”

Acompanhante: “Virgem ficaria melhor em Valkiria, ou Letícia.” (close na Letícia). Diz que ela ainda é virgem, o que espanta o cara. Ela então diz:


“Dizem que ainda conserva esse objeto. Talvez seja uma perversão.


A sociedade alta criticando o o que era, então, considerado um valor. Colocar a virgindade como algo absurdo pode indicar uma maior liberação em relação à sexualidade; uma crítica aos que criticam esse valor tradicional ou a referência simples à sexualidade como fonte de perversões (eles também seriam perversos, por conta de seus comentários e do que eles revelam implicitamente: pessoas amorais que se entregam aos prazeres do sexo sem comedimentos.


Estranho: Edmundo se levanta para fazer o brinde, novamente, como se fosse a primeira vez. Ninguém lhe dá a mínima. Fica chateado.


Déja vú?


O companheiro jovem de Silvia (Almofadinha) está profundamente aborrecido. No mínimo porque ela está dando atenção ao Sérgio (velho rabugento).


Luzia, a anfitriã, pede desculpas por ter mudado a ordem do cardápio, para que o guisado fosse servido antes, de acordo com o costume maltês.


O criado Cabelo traz o guisado, mas cai com ele, sujando alguns convidados. Eles riem. Um comenta que foi um fato delicioso e inesperado, cumprimentando Luzia. Eles sabiam que o acidente era forjado.


O criado Cabelo se desculpa, numa postura humilhante. O Almofadinha é americanizado: “Wonderfull!”


O local deve ser México, mesmo. A proximidade geográfica explicaria adequadamente a americanização de personagens.


Já o Sérgio Russi disse não ter achado graça alguma na brincadeira, após a Blanca (?) ter comentado como não é todo mundo que sabe fazer esse tipo de brincadeira. Ela acha engraçado a rabugice do cara.


Seria possível relacionar isso de alguma forma com o chiste?


Luzia percebe a conversa e se preocupa, saindo da sala. O Criado Careca chega com um prato, mas fica sem saber o que fazer sem a patroa na sala. Ela foi impedir que um filhote de urso e três cordeiros fossem soltos, já que o Sérgio não gosta de brincadeiras.


Será que o urso iria caçar os cordeiros? Que brincadeira seria?


O mordomo Julio parece aprovar e chama a atenção da senhora para os eventos estranhos da noite.


Os cozinheiros também estão partindo, às 22hs40min.


A estranheza da situação, então, passou a ser percebida.


Também ela pergunta se os empregados estão insatisfeitos com algo, já que abandonam o trabalho no meio do jantar.


Se questiona a razão de tudo?


E haveria razão para a estranheza?

Sem dúvida que sim, mas isso não significa que ela poderia ser apreendida tão facilmente, apenas com perguntas básicas e indignação.


Julio é um puxa-saco colaboracionista: “Acho que os empregados são impertinentes.”


Os criados estão indo embora. O que tem cabelo bebe e o Careca vai fazer sua mala (não o deixariam entrar no dia seguinte).


Corte: Sala de jantar vazia


Só uma loira (Valkiria) na sala. Joga um cinzeiro pela vidraça, enquanto os demais estão na saleta adjacente à sala do piano, onde Blanca está tocando. Um dos homens comenta: “Que mulher interessante!”


Mas, por que a Valkiria quebrou a vidraça?


Beatriz e Eduardo dançam. Perguntam seus nomes, como se não se conhecessem, embora sejam noivos e vão se casar no sábado (em cinco dias).


A história se passa numa segunda-feira, então?


O médico, doutor Carlos Conde, fala com Leonora (sua paciente), que diz estar se sentindo bem e com apetite. Ele diz que sua doença né insignificante. Ela o chama para dançar e dá-lhe um beijo, ao qual ele pergunta: “Transferência?”


A Leonora esta apaixonada por seu médico, exemplificando a transferência analista-paciente (transferência erótica = resistência).


Ela diz que era um desejo que queria satisfazer.


O médico se distrai com um casal, com a mulher dizendo que o marido (Christian) comeu demais e a úlcera o está atacando.


Um gorducho (que viu o beijo) apresenta ao Christian o Leando Gomez, recém-chegado à cidade (provavelmente vindo dos EUA). Após as apresentações, Christian se afasta, deixando o Leando com a esposa.


Gorducho pergunta ao médico sobre o beijo. O médico diz que ela não dura nem três meses. Tem câncer.


Outra piada que não entendi:


“Não dou três meses até que fique completamente calma.”

“E numa boa cova.”


Insólito: Christian, após tomar uma taça de champagne, vai cumprimentar efusivamente o Leandro, sendo que eles haviam sido apresentados pelo gorducho e demonstrado grande frieza um com o outro.


Leandro estava em Nova Iorque. Chama o amigo para ir à sua casa, onde lhe dará uma caixa (?). Christian diz: “Cuidado. Não estamos sós”, e então apresenta Leandro para o Sergio Russi, que resmunga e sai fora. Parece que não gostou da brincadeira dos dois se apresentando ou se fazendo de amigos.


Eles comentam que o velho é excêntrico e que talvez seja um homem das Letras.


A loira (esposa do Christian?) que estava com ele os convida para ouvir Blanca tocar.


Na sala do piano um cara de bigode está preocupado com as horas. Valkiria está de pé ao lado do piano.


Atrás da Blanca há um conjunto de armas brancas na parede. O piano é branco.


Coisas insólitas no salão do piano.


Estranho: Christian faz um gesto código para o maestro, que devolve o mesmo código.

Uma das mulheres pea um lenço de sua bolsa, que tem um pássaro morto dentro (dá para ver os pés da ave).


Raul pede a Blanca para tocar Scarlatti (?)


Christian e o maestgro conversam estranhamente. Estavam combinando algo. Parecem fazer parte de alguma fraternidade. Seriam maçons?


Há portas com figuras religiosas, ao fundo. Um anjo está em destaque. Parece estar com a mão direita levantada, numa posição de apunhalar.


Leandro Gomez interrompe. São apresentados.


Christian e Leandro trocam leves hostilidades, sobre quanto tempo o Leandro ficava. Christian diz que mora ali.


Na casa??


Edmundo pede para Julio dispôr os casacos. É hora de irem emobra. Mas o maestro cai no sono num sofá. Antes disso o Sergio e a Silvia (ou Valkiria) riem de canto de boca pela briga do Christian com o Leandro.


Estranho: A conversa do Edmundo com a mulher do maestro, Alicia. Parece que ela fala dele tentar fazer sexo após as apresentações. Que ela não se queixa (então, não consegue) mas o contr´rio. Ela acha que o Edmundo perguntou se ele iria tenar uma ereção na casa dele.


Piada estranha: Christian e sua esposa, que está cansada por causa da gravidez, vão se aninhando num sofá. Uma mulher pergunta se ele é o pai, deixando-o indignado. A esposa diz que a ciência decidirá.


Luzia é atraída por Blanca, que já deveria ter ido embora, mas estava conversando com o Raul sobre a fauna da Romênia. Daí ela diz que vai embora de vez.


Várias pessoas se acomodando na sala. Uma mulher acendendo o cigarro para outra.


Luzia se encontra com Alvaro. Se beijam. Marcam um cato para quando todos se forem. Já são quase quatro da manhã.


Um retrato ao fundo. Quem?


Edmundo percebe que o batom da esposa está fraco. Comenta que é por causa do avançado da hora.


Comentário tolo ou indireta?


Há um busto sobre uma armário atrás deles. Também uma estátua de atleta à direita da tela.


Edmundo apaga as luzes e conversa com alguém sobre mandar preparar os quartos para hospedá-los. Esses falam sobre suas obrigações matinais e como deveriam ir.


Julio apaga mais luzes. Caras comentam se devem ir ou não. Vêem um fulano tirando as roupas para dormir. Alvaro diz que isso é um abuso.


Edmundo e Luzia se incomodam com a situação. Ele arranja desculpa para Leandro, por ter vindo dos EUA. Fala também algo sobre ser nesse horário que o corpo alcança a sua máxima depresão (sonho?) e também como a temperatura está agradável. Tudo para justificar o comportamento inapropriado dos convidados.


Julio: sozinho na sala de jantar.


Os noivos se afastam da horda. Beatriz pergunta: “Por que estamos aqui? Por que não fomos embora?”


Eduardo tá mais interessado em catar ela. Responde: “Porque todos quiseram ficar.”


Se isentam de responsabiliade. Não ficaram à toa, mas seguindo o bando. Não havia porque pensar nisso. Ainda mais com sexo na jogada.


Ela percebe que “não é natural”.

Ele: “a vida é divertida e estranha.”


Ela segura o braço dele. Voltam para junto da horda.


O Sergio olha para a sala. Visivelmente não se sentindo bem.


Angústia?


Amanhece


O número da casa é 1109. Teria alguma relevância?


Os portões estão abertos. Movimento de câmera com grua.


Todos acordam e se arrumam.


Rita comenta sobre o descarrilhamento de Nice, e que está tão dolorida quanto esteve então.


Edmundo está inconformado com a situação.


Mulher ainda falando do acidente de trem. Faz referências à plebe. Não se comoveu com a dor deles. Se reconhece insensível.


Valkira: fome.


Quem foi o príncipe Lucart?? - comparação da frieza frente à morte dele.


O povo é menos sensível à dor. O compara aos touros. Ou, então, por não se compadecerem ao sofrimento dos touros.

Estaria colocando as touradas como espetáculo da plebe??

Mas, então: é México ou Espanha? Tem touradas no México?


Repetição da frase: “fica bem desalinhada.” O Almofadinha se doeu.


Sergio está passando mal. Edmundo quer leva-lo a um hospital, mas o médico diz que é melhor não movê-lo.


Edmundo parece ser a força que não se conforma com a situação e que quer romper com a estagnação de todos, ali dentro. Por ser o anfitrião, dono da casa, talvez represente o Ego.


O médico diz para sua paciente que o Sergio tem poucas horas de vida. Faz novamente uso da expressão “bem calmo”.


Referência à ausência de tensões do estado de não-vida.


Ele não aceita o beijo na mão que ela lhe dá. Segura a onda da transferência.


Novo fato estranho: as entregas de suprimentos na casa não estão sendo feitas. Não se consegue entrar na casa.


As mulheres vão a um tocador, mas não passam pelo portal da sala. Um cara de bigode chama atenção para isso:


“Aposto que não vão sair. Estão vendo? Que acham?”