17/10/2004
Uma constante nos desenhos Disney é ter um momento de intensidade dramática, e Tarzan não é uma exceção, embora não haja tanta densidade assim nos dois momentos do filme (no início e no final). E esta é a única falha do filme, o que, no entanto, não é suficiente para comprometê-lo.
Em termos de história, o que temos é uma adaptação livre da obra de Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan. O início ocorre com tragédias, como o naufrágio e posterior morte dos pais. Mas sua adoção por parte dos gorilas vai garantir a sobrevivência do menino que, no entanto, de início, não é aceito pelo grupo. Com esforço, o jovem Tarzan conquista o respeito e o carinho dos outros gorilas, mas nunca o de seu pai adotivo.
Essa nuance da trama coloca uma questão bastante importante no filme, que é a da tolerância em relação às diferenças. É particularmente enternecedora a parte com que a mãe de Tarzan lhe mostra que ele é igual aos outros gorilas, apesar das evidentes diferenças.
Mas se o filme coloca essa questão, não apenas para as crinças, também apresenta o velho tema recorrente da desobediência filial, embora neste caso mais do que simples curiosidade, o que Tarzan queria era ter contato com aqueles de sua espécie.
Os personagens são bem caracterizados e desenvolvidos, colocados devidamente em situações que exploramo que eles têm de melhor para mostrar: a macaca que sofre de constipação emocional é a típica garota esperta; o elefante inteligente mas neurótico; uma Jane apaixonante; enfim, tudo muito bem trabalhado.
A trilha sonora também é um primor, principalmente com as canções de Phil Collins. Definitivamente, o carequinha tem o dom para compor hits.
Enfim, Tarzan conseque aquilo que todo filme Disney deveria conseguir: nos fazer assistir à obra com um sorriso nos lábios, em cada um de seus momentos.

Um comentário:
"Constipação emocional"? É, eu gostei da frase.
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